Diocese de Petrópolis - "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho"
São Simão e São Judas Tadeu

São Simão e São Judas Tadeu

Simão e Judas Tadeu: Colunas da verdade do Reino

Quando Jesus subiu ao monte e passou a noite em oração, estava prestes a escolher aqueles que levariam sua mensagem para além das estradas da Galileia. Entre os Doze estavam dois homens sobre os quais os Evangelhos conservaram poucas palavras, mas cuja memória atravessou os séculos: Simão, chamado Zelota, e Judas, chamado Tadeu. A Igreja os celebra juntos em 28 de outubro, reconhecendo neles duas testemunhas do início da missão apostólica.

Simão aparece nas listas dos Doze como “o Zelota”. Mateus e Marcos o chamam de Cananeu, enquanto Lucas o identifica como Zelota. O título provavelmente está relacionado ao zelo, mas não permite reconstruir com segurança sua atividade política anterior ao encontro com Jesus. Ao contrário de interpretações posteriores que procuraram definir precisamente sua vida antes do apostolado, os Evangelhos permanecem silenciosos sobre esse período. O que sabemos com certeza é que ele foi escolhido pelo próprio Cristo para fazer parte do grupo dos Doze.

É justamente esse silêncio que torna sua figura tão singular. Não possuímos um Evangelho escrito por Simão, nem cartas que possam ser atribuídas seguramente a ele. Não conhecemos com certeza as cidades por onde passou depois da Ressurreição. A tradição cristã antiga, porém, não permitiu que seu nome desaparecesse. Ao longo dos séculos, diferentes autores procuraram conservar a memória de sua atividade missionária, associando-o a regiões distantes do mundo conhecido.

Algumas tradições o relacionam à África e até à Bretanha; outras situam sua missão no Oriente. Uma antiga tradição, compartilhada por fontes cristãs posteriores, associa Simão e Judas à Pérsia e afirma que ambos foram mortos por sua fé. O próprio Vatican News observa que as informações sobre Simão são particularmente incertas e que as tradições sobre seu martírio e sepultamento variam.

Por isso, não é possível afirmar como fato histórico comprovado todos os detalhes transmitidos sobre sua morte. A tradição mais conhecida conta que Simão e Judas teriam evangelizado juntos e encontrado o martírio em território persa, sendo mortos por ordem de autoridades influenciadas por sacerdotes pagãos. Outras tradições indicam lugares diferentes para seu sepultamento. O que permanece firme é a memória de dois apóstolos que deram testemunho de Cristo até o fim.

Judas, por sua vez, ocupa um lugar particular nos Evangelhos. Para não ser confundido com Judas Iscariotes, o discípulo que traiu Jesus, ele aparece identificado como Judas de Tiago ou Judas Tadeu. Em João, durante a Última Ceia, é ele quem pergunta a Jesus: “Senhor, como é que te manifestarás a nós e não ao mundo?” A pergunta revela um discípulo que desejava compreender como a presença de Cristo continuaria a manifestar-se depois de sua partida.

A resposta de Jesus desloca a questão do espetáculo exterior para uma realidade mais profunda: a manifestação de Deus acontece naquele que ama e guarda sua palavra. Assim, uma das poucas intervenções de Judas conservadas no Evangelho está ligada justamente ao mistério da presença de Cristo entre os seus.

Também existe no Novo Testamento a Carta de Judas, apresentada por seu autor como pertencente a “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago”. Desde os primeiros séculos, alguns cristãos a associaram ao apóstolo Judas Tadeu. A identificação, entretanto, não é considerada absolutamente certa por todos os estudiosos, razão pela qual é mais prudente falar na antiga tradição que relaciona a epístola ao apóstolo sem transformar essa identificação em dado histórico incontestável.

A carta é breve, mas vigorosa. Dirige-se aos cristãos e os exorta a permanecerem firmes na fé recebida, advertindo contra ensinamentos e comportamentos que ameaçavam a vida das comunidades. Seu autor insiste que a fé não pode ser separada da conduta. A verdade recebida precisa transformar a existência. É uma preocupação que combina perfeitamente com aquilo que a Igreja celebra ao recordar os apóstolos: não apenas homens que ouviram Jesus, mas testemunhas chamadas a conservar e transmitir sua mensagem.

Depois dos tempos apostólicos, a memória de Judas Tadeu cresceu especialmente no Oriente. Tradições antigas o relacionam à região de Edessa e à Mesopotâmia. Outras narrativas o associam a diferentes territórios. Como ocorre com vários apóstolos, não possuímos documentação suficiente para reconstruir com segurança cada etapa de suas viagens. A tradição, contudo, conservou a convicção de que Judas levou o anúncio de Cristo para além da terra onde havia conhecido o Mestre.

Com o passar dos séculos, sua devoção adquiriu uma característica particular. Os fiéis começaram a recorrer a São Judas Tadeu sobretudo diante de situações consideradas humanamente difíceis. A tradição espiritual ligada a Santa Brígida da Suécia contribuiu para fortalecer essa devoção, e, gradualmente, o apóstolo passou a ser conhecido popularmente como intercessor dos casos difíceis e desesperados. Essa forma de devoção pertence à história posterior do culto de São Judas e não deve ser confundida com uma afirmação presente nos Evangelhos.

A iconografia também conservou as tradições sobre o martírio. Por isso, São Judas Tadeu pode aparecer com espada, clava, machado ou alabarda. A variedade dos instrumentos representados revela justamente a diversidade das antigas narrativas sobre sua morte. Não existe documentação histórica suficiente para determinar com certeza qual teria sido a arma utilizada.

Simão e Judas permanecem, portanto, unidos não apenas pela celebração litúrgica, mas por uma mesma vocação. Foram escolhidos quando ainda eram homens desconhecidos fora do círculo daqueles que acompanhavam Jesus. Não deixaram grandes construções, riquezas ou títulos. Deixaram testemunho.

A liturgia da festa recorda essa missão utilizando as palavras da Carta aos Efésios: os cristãos são edificados sobre o fundamento dos apóstolos, tendo o próprio Cristo como pedra angular.

Essa imagem ajuda a compreender a grandeza de Simão e Judas. Uma coluna não chama atenção para si mesma: sustenta aquilo que está acima dela. Assim foram os apóstolos. Sua missão não consistia em ocupar o lugar de Cristo, mas em conduzir o mundo até Ele.

Simão, o Zelota, e Judas Tadeu pertencem àquela primeira geração que recebeu do Senhor a tarefa de anunciar o Evangelho. Sobre suas vidas paira o silêncio de muitos séculos, mas a Igreja conservou seus nomes porque a verdade que testemunharam não morreu com eles.

E talvez seja justamente essa a força de sua memória: dois homens pouco conhecidos pelos detalhes de sua existência tornaram-se conhecidos por aquilo que fizeram com a vida que receberam — colocaram-na inteiramente a serviço do Reino.
São Simão, e São Judas Tadeu, rogai por nós!

Reflexão

São Bernardo de Claraval assegura que “entre os devotos de S. Judas, poucos há que não tenham recebido provas especiais da sua assistência nas doenças, nos assuntos mais difíceis e mesmo no desespero, nos temores, nos desgostos, nas calúnias, na pobreza, na miséria, e nas ocasiões em que toda a esperança humana parecia perdida”. É invocado como o santo dos desesperados e aflitos, das causas sem solução ou perdidas.

Oração

Senhor Jesus, Tu escolheste S. Judas entre os teus Apóstolos e fizeste dele, para o nosso tempo, o Apóstolo das causas desesperadas. Agradeço-Te por todos os benefícios que me concedeste por sua intercessão e peço-Te que me concedas a Tua graça nesta vida para que possa participar um dia, na Tua glória, na alegria eterna. Amém.

Pesquisa e Texto: Equipe PASCOM Catedral
Reflexão e Oração: A12 Santuário Nacional