Diocese de Petrópolis - "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho"
Santo Antônio Maria Claret

Santo Antônio Maria Claret

Um coração em chamas pela evangelização

Havia em Antônio Claret uma inquietação que o acompanhou desde a juventude: o desejo de conhecer, amar e fazer conhecido o nome de Deus. Sua vida atravessou fábricas, seminários, estradas, dioceses, palácios e lugares de perseguição, mas não perdeu o mesmo centro. Para ele, a fé não podia permanecer imóvel. Precisava tornar-se palavra anunciada, caridade praticada e vida entregue.

Antônio João Adjutor Claret y Clará nasceu em Sallent, na província de Barcelona, em 23 de dezembro de 1807, no seio de uma família profundamente cristã ligada à fabricação de tecidos. Foi o quinto de onze filhos. Ainda jovem, aprendeu o ofício familiar e, aos dezessete anos, foi para Barcelona aperfeiçoar seus conhecimentos na indústria têxtil. O trabalho entre os teares lhe deu experiência e disciplina, mas não conseguiu apagar uma inquietação mais profunda que crescia dentro dele.

Pouco a pouco, Antônio percebeu que não estava destinado simplesmente a administrar uma fábrica. Sentia-se chamado a outra forma de serviço. Entrou no seminário de Vic e, depois de uma breve experiência junto aos jesuítas em Roma, retornou à Catalunha. Foi ordenado sacerdote em 13 de junho de 1835.

Começou então uma vida missionária marcada por viagens e pregações. Entre 1843 e 1848, percorreu grande parte da Catalunha anunciando o Evangelho, muitas vezes a pé e sem receber pagamento por sua atividade apostólica. Sua palavra alcançava especialmente o povo simples, e ele procurava utilizar também os meios de comunicação disponíveis em seu tempo. Em 1848, criou a Livraria Religiosa, iniciativa destinada a difundir livros, folhetos e materiais de formação cristã.

Claret compreendia que o missionário precisava chegar onde seus passos não conseguiam alcançar. Por isso, tornou-se escritor incansável. Seus escritos abordaram catequese, espiritualidade, vida cristã e devoção, multiplicando sua presença muito além dos lugares que conseguia visitar pessoalmente.

No centro de sua espiritualidade estava também seu profundo amor pela Virgem Maria. Ao nome de Antônio, recebido no batismo, acrescentou Maria como expressão de sua devoção. Para ele, Maria ocupava um lugar especial no caminho que conduzia a Cristo. Seus escritos marianos testemunham essa presença constante, que atravessou tanto sua vida pessoal quanto sua atividade missionária.

Em 16 de julho de 1849, em uma humilde sala do seminário de Vic, Claret reuniu-se com cinco sacerdotes que compartilhavam de seu ideal missionário: José Xifré, Estêvão Sala, Domingos Fábregas, Manuel Vilaró e Jaime Clotet. Ali nasceu a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, conhecidos posteriormente como Missionários Claretianos. A pequena comunidade seria o início de uma família missionária que atravessaria continentes.

Poucos dias depois, Claret recebeu uma missão que não havia procurado. Foi nomeado arcebispo de Santiago de Cuba. Sua primeira reação foi de resistência, pois acabara de fundar a Congregação e temia abandonar a obra recém-iniciada. Mas aceitou por obediência e foi consagrado bispo em Vic, em 6 de outubro de 1850.

Na ilha de Cuba, encontrou uma realidade marcada por graves problemas sociais e religiosos. Em vez de permanecer distante, percorreu a extensa arquidiocese repetidas vezes. Pregou, visitou comunidades, trabalhou pela renovação do clero e procurou aproximar a Igreja das necessidades concretas da população.

Seu ministério cubano não se limitou à pregação. Claret combateu a escravidão, criou uma escola agrícola destinada a jovens pobres, promoveu bibliotecas populares e estabeleceu uma caixa de poupança com finalidade social. Também incentivou a presença de congregações religiosas dedicadas à educação e à assistência. Sua atuação provocou oposição e perseguições. Em Holguín, em 1º de fevereiro de 1856, sofreu um atentado que lhe causou ferimentos e quase lhe custou a vida.

Durante esse período, encontrou Maria Antônia París, com quem colaborou na fundação das Religiosas de Maria Imaculada, conhecidas como Missionárias Claretianas. Em 1855, em Santiago de Cuba, Claret assinou o decreto de fundação da nova comunidade, unindo o trabalho missionário à educação e à renovação da vida cristã.

Em 1857, retornou à Espanha e foi escolhido pela rainha Isabel II como seu confessor. A posição o colocou próximo à corte, mas Claret continuou procurando viver sua missão religiosa. Permaneceu ligado à pregação, à escrita e à formação espiritual. Não abandonou o desejo de evangelizar, mesmo quando as circunstâncias o colocavam em ambientes muito diferentes daqueles das estradas missionárias.

Participou também do Concílio Vaticano I, iniciado em 1869. Entretanto, as transformações políticas espanholas e a queda da monarquia levaram-no ao exílio. Já na França, continuou vivendo sua vocação até o fim. Perseguido e debilitado, refugiou-se no mosteiro cisterciense de Fontfroide, próximo a Narbonne. Ali morreu em 24 de outubro de 1870, aos 62 anos.

A Igreja reconheceu oficialmente sua santidade décadas depois. Pio XI beatificou Antônio Maria Claret em 25 de fevereiro de 1934, e Pio XII o canonizou em 7 de maio de 1950.

Em Fátima, sua memória permanece visível na própria Basílica de Nossa Senhora do Rosário. Uma escultura de Santo Antônio Maria Claret está entre as figuras de grandes devotos de Nossa Senhora no templo. A obra, esculpida por Martinho de Brito, apresenta o santo em vestes episcopais, com gesto de pregador, o Coração de Maria sobre o peito, livros e rosário — elementos que sintetizam sua identidade de bispo, escritor, missionário e devoto mariano.

A história de Antônio Maria Claret é, assim, a história de um homem que nunca separou contemplação e ação. Aprendeu entre os teares, estudou para o sacerdócio, caminhou pelas estradas como missionário, enfrentou conflitos como bispo, escreveu para evangelizar, serviu na corte sem abandonar sua missão e terminou a vida longe de sua pátria, sustentado pela mesma fé que o havia colocado a caminho.

Seu legado não está apenas nas instituições que fundou, nem nos livros que escreveu. Está sobretudo naquela convicção que orientou toda a sua existência: o Evangelho recebido não podia ser guardado para si. Era preciso anunciá-lo, vivê-lo e colocá-lo a serviço dos outros.
Santo Antônio Maria Claret, rogai por nós!

Reflexão

Santo Antonio Maria Claret destaca-se pelo amor a Palavra de Deus, que tratava com familiaridade e respeito. Ungido pelo Espírito Santo para evangelizar os pobres, é a palavra de Deus que configura sua personalidade no seguimento de Jesus e dos apóstolos. Em tudo Maria Claret fazia a vontade de Deus com humildade e claridade.

Oração

Deus, nosso Pai, Santo Antônio Maria Claret foi inflamado pelo fogo do vosso Espírito Santo. À todos procurou levar a mensagem do Reino segundo as exigências de seu tempo. Senhor, saibamos nós também responder aos desafios de nosso tempo, extraindo do Evangelho a inspiração para o nosso agir e pensar. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

Pesquisa e Texto: Equipe PASCOM Catedral
Reflexão e Oração: A12 Santuário Nacional