Santo do Dia
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Nascimento de João Batista

Nascimento de João Batista

Nas colinas da antiga Judeia, quando o povo de Israel vivia sob o domínio do Império Romano e aguardava, há séculos, a chegada do Messias prometido pelos profetas, nasceu aquele que seria a voz que romperia o silêncio da espera: São João Batista.

A Igreja celebra solenemente seu nascimento porque sua vida esteve inteiramente ligada ao mistério da vinda de Cristo. Entre todos os santos, apenas ele e a Virgem Maria possuem o nascimento recordado liturgicamente. Tal honra nasceu do lugar único que João ocupa na história da salvação: ele foi o último dos profetas e o primeiro a apontar claramente o Messias já presente entre os homens.

Seu nascimento foi envolvido por sinais extraordinários.

Seu pai, Zacarias, era sacerdote do Templo de Jerusalém. Sua mãe, Santa Isabel, descendia da linhagem sacerdotal de Aarão. Ambos eram justos diante de Deus, mas carregavam havia muitos anos a dor silenciosa da esterilidade.

Já idosos, continuavam rezando.

Foi então que, durante o serviço litúrgico no Templo de Jerusalém, Zacarias recebeu a visita do anjo São Gabriel Arcanjo. O mensageiro anunciou que Isabel daria à luz um filho e revelou até mesmo o nome que deveria receber: João.

A notícia parecia impossível.

Zacarias hesitou diante do anúncio e, segundo o Evangelho de Lucas, ficou temporariamente sem fala até o nascimento do menino. Quando chegou o momento da circuncisão, os parentes desejavam dar-lhe o nome do pai, mas Zacarias escreveu numa tabuinha: “Seu nome é João”. Naquele instante sua voz retornou, e o povo compreendeu que algo extraordinário acompanhava aquela criança.

João nasceu cerca de seis meses antes de Jesus.

Os Evangelhos narram também o emocionante encontro entre Isabel e Maria. Quando a Mãe do Salvador visitou sua parenta, João ainda no ventre estremeceu de alegria diante da presença de Cristo.

A tradição cristã sempre contemplou nesse episódio o primeiro testemunho de João ao Messias.

Os anos de sua juventude transcorreram em profundo recolhimento.

Os Evangelhos pouco dizem sobre esse período, mas antigos estudiosos e tradições associam sua formação espiritual ao ambiente austero do deserto da Judeia, próximo ao Rio Jordão e às regiões próximas do Mar Morto.

Alguns historiadores consideram possível contato com comunidades ascéticas como os essênios, conhecidos pela vida rigorosa de oração, penitência e expectativa messiânica. Embora isso não possa ser afirmado com absoluta certeza histórica, o estilo de vida de João possuía semelhanças com aquele ambiente de austeridade.

O deserto moldou sua alma.

Ali aprendeu o silêncio, a penitência e a escuta de Deus.

Sua aparência impressionava os contemporâneos. O Evangelho de Mateus descreve-o vestido com pele de camelo e cinto de couro à cintura, alimentando-se de gafanhotos e mel silvestre. Sua figura lembrava os antigos profetas de Israel, especialmente Profeta Elias.

Mas não era a aparência que atraía multidões.

Era sua palavra.

Quando começou a pregar às margens do Jordão, a Judeia inteira parecia despertar. João falava com autoridade incomum. Não buscava agradar poderosos nem suavizar a verdade para conquistar seguidores.

Sua mensagem era clara:

“Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo.”

Homens simples, soldados, cobradores de impostos e pecadores aproximavam-se dele movidos por sincero desejo de mudança de vida. João os conduzia ao batismo de penitência nas águas do Jordão, sinal exterior de arrependimento e preparação espiritual.

Contudo, ele sabia que sua missão não era ocupar o centro. Apontava constantemente para Outro.

Como registra o Evangelho:

“Eu vos batizo com água para a conversão; mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu.”

Então chegou o dia decisivo.

Jesus Cristo aproximou-se do Jordão para ser batizado.

João imediatamente reconheceu diante de si o esperado das nações. Sentiu-se indigno de batizá-Lo, mas obedeceu. Naquele momento, segundo os Evangelhos, os céus se abriram, o Espírito Santo desceu em forma de pomba e ouviu-se a voz do Pai proclamando:

“Este é meu Filho amado.”

A partir daquele instante, João compreendeu que sua missão começava a desaparecer para que Cristo aparecesse plenamente.

Ele mesmo declarou:

“É necessário que Ele cresça e eu diminua.”

João continuou anunciando a verdade com coragem absoluta.

Não temia denunciar o pecado nem diante dos governantes.

Naquela época, Herodes Antipas vivia publicamente com Herodíades, mulher que antes fora esposa de seu próprio irmão. João condenou abertamente aquela união considerada ilícita pela Lei judaica.

Sua fidelidade à verdade custou-lhe a liberdade.

Foi preso e encarcerado na fortaleza de Maqueronte.

Mesmo preso, continuava sendo respeitado pelo povo, que o reconhecia como profeta.

Mas o ódio de Herodíades crescia silenciosamente.

Durante um banquete oferecido por Herodes, a dança da filha de Herodíades agradou tanto ao governante que ele prometeu conceder qualquer pedido. Instigada pela mãe, a jovem pediu a cabeça de João Batista.

Herodes hesitou, mas, pressionado diante dos convidados, ordenou a execução.

São João Batista foi decapitado por volta do ano 30 da era cristã.

Sua morte marcou o fim dos antigos profetas e o início definitivo da manifestação pública de Cristo.

O próprio Jesus exaltaria sua grandeza diante do povo:

“Entre os nascidos de mulher, não surgiu ninguém maior do que João Batista.”

A memória de João atravessou os séculos como a daquele homem austero do deserto que viveu apenas para preparar os caminhos do Senhor, anunciando com coragem a verdade, chamando os homens à conversão e apontando, finalmente, para o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
São João Batista, rogai por nós!

Reflexão

São João Batista é um dos santos mais populares em todo o mundo cristão. A sua festa é muito alegre e até folclórica. Com muita música e danças, o ponto central é a fogueira, lembrando aquela primeira feita por seus pais para comunicar o seu nascimento. João é elo entre a Antiga e a Nova Aliança. É também lembrado como um grande profeta.

Oração

São João Batista ajudai-me a fazer penitência das minhas faltas para que eu me torne digno do perdão daquele que vós anunciastes com estas palavras: "Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira os pecados do mundo". Amém.

Pesquisa e Texto: Equipe PASCOM Catedral
Reflexão e Oração: A12 Santuário Nacional