No início do século XIX, quando a Itália atravessava tempos de mudanças políticas, pobreza crescente e profundas feridas sociais deixadas pelas guerras napoleônicas, nasceu em Castelnuovo d’Asti um sacerdote cuja vida seria marcada pela misericórdia, pela formação do clero e pela caridade para com os condenados à morte: São José Cafasso.
Na mesma terra que mais tarde daria ao mundo São João Bosco, José veio ao mundo em 1811, em uma família simples e profundamente cristã. Desde muito pequeno demonstrava delicadeza de consciência, inclinação à oração e grande sensibilidade para com os sofrimentos alheios.
Fisicamente era frágil e de pequena estatura. Sofria de uma deformação na coluna que o acompanharia por toda a vida. Contudo, aquilo que poderia ter sido motivo de amargura tornou-se escola silenciosa de humildade e compaixão.
Ainda criança sentiu nascer no coração o desejo do sacerdócio.
Enquanto muitos jovens de sua época buscavam estabilidade material em meio às incertezas sociais da região do Piemonte, José cultivava vida interior intensa. Gostava do recolhimento, da oração e da meditação sobre a eternidade.
Entrou para a formação sacerdotal e destacou-se rapidamente não apenas pela inteligência, mas sobretudo pela maturidade espiritual.
Foi ordenado sacerdote aos vinte e três anos.
Pouco depois, em 1833, ingressou no Colégio Eclesiástico de Turim, centro criado para aperfeiçoar a formação dos padres recém-ordenados. Ali aprofundou-se especialmente na teologia moral, campo em que se tornaria referência respeitadíssima em toda a região.
Naquele tempo, muitos confessores adotavam excessivo rigorismo moral, tornando o sacramento da reconciliação um peso temido pelos fiéis. José Cafasso, porém, seguia caminho diferente.
Inspirado pelos ensinamentos de Santo Afonso Maria de Ligório, ensinava que a verdade deveria caminhar unida à misericórdia. Tornou-se confessor procuradíssimo em Turim.
Pobres, operários, sacerdotes, doentes e pessoas atormentadas pela culpa buscavam nele não apenas orientação, mas consolo espiritual verdadeiro.
Seu amor pelos necessitados tornou-se conhecido em toda a cidade.
Visitava enfermos, ajudava famílias abandonadas e distribuía discretamente auxílio aos pobres. Sua presença transmitia paz. Muitos contemporâneos relatavam sua extraordinária capacidade de escutar com paciência e falar ao coração das pessoas sem dureza.
Mas foi nas prisões de Turim que sua missão assumiu contornos ainda mais impressionantes.
O século XIX conhecia sistemas prisionais extremamente severos. As cadeias eram lugares marcados pela violência, pela miséria e pelo abandono humano. José Cafasso começou a visitar regularmente os encarcerados, levando-lhes alimento espiritual, consolo e oportunidade de reconciliação com Deus.
Acompanhava especialmente os condenados à morte.
Entrava nas celas pouco antes das execuções, conversava longamente com os prisioneiros, ouvia suas confissões e permanecia ao lado deles até os últimos instantes.
Por causa disso passou a ser conhecido como o “Santo da Forca”.
Não porque aprovasse as execuções, mas porque nenhum condenado enfrentava sozinho a morte enquanto José Cafasso pudesse acompanhá-lo.
Os relatos históricos afirmam que muitos homens considerados endurecidos e violentos morreram reconciliados com Deus graças à sua presença paternal. Ele enxergava em cada prisioneiro a imagem de Cristo sofredor e abandonado.
Enquanto muitos evitavam aqueles homens por medo ou desprezo, Cafasso aproximava-se deles com serenidade desarmante.
Seu trabalho junto ao clero também foi extraordinário.
Após anos de dedicação no colégio e na Igreja de São Francisco de Assis, tornou-se reitor e principal formador de novos sacerdotes.
Entre os jovens padres orientados por ele estava São João Bosco.
Dom Bosco encontrou em Cafasso um verdadeiro pai espiritual.
Foi José quem ajudou o jovem sacerdote a discernir sua missão junto aos meninos pobres e abandonados das ruas de Turim. Também o incentivou nos momentos de dificuldade, apoiando financeiramente e espiritualmente as primeiras iniciativas que dariam origem à obra salesiana.
Mais tarde, acompanhando Cafasso nas visitas às prisões, Dom Bosco presenciaria o drama da juventude abandonada pela sociedade. Aquela experiência influenciaria profundamente sua decisão de criar obras preventivas de educação e evangelização para os jovens.
Mesmo diante de críticas e incompreensões, José Cafasso permaneceu firme apoiando o discípulo.
Era homem de oração intensa.
Passava longos períodos diante do Santíssimo Sacramento e cultivava profunda devoção à Virgem Maria. Aos seminaristas e sacerdotes ensinava que a santidade não nascia do brilho intelectual, mas da união sincera com a vontade de Deus.
Repetia frequentemente:
“Toda santidade, perfeição e proveito de uma pessoa está em fazer perfeitamente a vontade de Deus.”
Seu temperamento era marcado por amabilidade constante e alegria simples. Mesmo consumido por inúmeros trabalhos espirituais, mantinha serenidade admirável.
Com o passar dos anos, entretanto, o corpo começou a enfraquecer.
As penitências, o ritmo intenso de atendimento espiritual, as visitas aos presos, os sermões, as aulas e o cuidado contínuo pelas almas desgastaram profundamente sua saúde.
Certo dia, durante um sermão, comentou com simplicidade:
“Como é belo morrer em um sábado, dia da Virgem, para ser levado por Ela ao céu.”
E assim aconteceu.
São José Cafasso morreu em um sábado, 23 de junho de 1860.
Na oração fúnebre, São João Bosco recordou-o como mestre do clero, conselheiro seguro, consolador dos moribundos e amigo fiel.
Décadas mais tarde, a Igreja reconheceria oficialmente sua santidade. Em 1947, Papa Pio XII canonizou José Cafasso e o declarou patrono dos encarcerados e dos capelães de prisões.
Sua memória permaneceu como a de um sacerdote que escolheu permanecer ao lado daqueles que todos abandonavam, levando esperança até mesmo aos pés da forca.
São José Cafasso, rogai por nós!
Deus, nosso Pai, pela intercessão de João Cafasso, ensinai-nos a amabilidade, a alegria, o bom humor, pois um semblante amável, alegre e de bem com a vida tem força divina que eleva o ânimo dos que estão abatido e vale mais que mil conselhos e instruções. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Deus, nosso Pai, pela intercessão de João Cafasso, ensinai-nos a amabilidade, a alegria, o bom humor, pois um semblante amável, alegre e de bem com a vida tem força divina que eleva o ânimo dos que estão abatido e vale mais que mil conselhos e instruções. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Pesquisa e Texto: Equipe PASCOM Catedral
Reflexão e Oração: A12 Santuário Nacional