Em 18 de maio de 1920, na pequena cidade de Wadowice, na Polônia, nascia Karol Józef Wojtyła, o terceiro e último filho de Karol Wojtyła e Emilia Kaczorowska. Décadas mais tarde, aquele menino polonês se tornaria sacerdote, bispo, cardeal e, em 16 de outubro de 1978, seria escolhido como sucessor de Pedro, assumindo o nome de João Paulo II. Seu pontificado duraria quase 27 anos, um dos mais longos da história da Igreja.
A infância de Karol, porém, foi marcada por perdas. Sua mãe morreu em 1929, quando ele tinha apenas nove anos. Três anos depois, perdeu também o irmão mais velho, Edmund, médico que morreu vítima de uma doença contraída enquanto trabalhava em um hospital. Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, morreu seu pai. Aos vinte anos, Karol havia perdido os familiares mais próximos.
Sua juventude também foi atravessada pela ocupação nazista da Polônia. Em 1938, havia ingressado na Universidade Jaguelônica de Cracóvia, mas a instituição foi fechada pelas forças de ocupação em 1939. Para sobreviver e evitar a deportação para a Alemanha, trabalhou primeiro numa pedreira e depois na fábrica química Solvay, entre 1940 e 1944. Paralelamente, participou do Teatro Rapsódico clandestino, expressão de resistência cultural em uma época na qual a identidade polonesa era duramente ameaçada.
Foi nesse cenário de guerra, trabalho e clandestinidade que amadureceu sua vocação sacerdotal. Em 1942, começou a estudar no seminário clandestino de Cracóvia, dirigido pelo então arcebispo Adam Stefan Sapieha. Ordenado sacerdote em 1º de novembro de 1946, prosseguiu sua formação e, pouco a pouco, assumiu responsabilidades cada vez maiores na Igreja polonesa.
Em 1958, Pio XII nomeou Wojtyła bispo auxiliar de Cracóvia. Paulo VI o nomeou arcebispo da mesma arquidiocese em 1964 e, três anos depois, criou-o cardeal. Nesse período, participou ativamente do Concílio Vaticano II, entre 1962 e 1965, contribuindo especialmente para a elaboração da Constituição pastoral Gaudium et Spes. A experiência conciliar ampliou sua visão da Igreja e de sua presença diante do mundo contemporâneo.
Então chegou aquele dia que mudaria a história contemporânea do catolicismo.
Em 16 de outubro de 1978, o conclave escolheu o cardeal polonês como sucessor de João Paulo I. Karol Wojtyła tornou-se João Paulo II, o primeiro Papa não italiano em séculos. Seis dias depois, em 22 de outubro, iniciou solenemente seu ministério como Pastor universal da Igreja.
Desde o início, seu pontificado assumiu um caráter marcadamente missionário. João Paulo II viajou incansavelmente. Realizou 104 viagens apostólicas internacionais e 146 visitas pastorais na Itália. Como bispo de Roma, visitou centenas de paróquias. Milhões de pessoas o encontraram em praças, santuários, estádios e celebrações litúrgicas.
Mas seu pontificado não se resumiu às viagens.
João Paulo II teve papel importante na renovação da vida da Igreja após o Concílio Vaticano II. Em 25 de janeiro de 1983, promulgou o novo Código de Direito Canônico para a Igreja latina. Em 1990, promulgou também o Código dos Cânones das Igrejas Orientais. Em 11 de outubro de 1992, promulgou a Constituição Apostólica Fidei Depositum, que acompanhou a publicação do Catecismo da Igreja Católica, fruto de anos de trabalho e colaboração internacional.
Outro traço marcante de seu ministério foi a atenção aos jovens.
Em 1984, durante o Ano Santo da Redenção, entregou aos jovens a Cruz que se tornaria conhecida como a Cruz das Jornadas Mundiais da Juventude. No ano seguinte, anunciou oficialmente a instituição da Jornada Mundial da Juventude. A primeira edição internacional aconteceu em 1986. A partir daí, jovens de diferentes continentes passaram a reunir-se em torno do Papa para celebrar a fé.
Também dedicou atenção especial à família. Em 1994, durante o Ano Internacional da Família, realizou-se em Roma o primeiro Encontro Mundial das Famílias com o Papa. No mesmo contexto, sua reflexão sobre o matrimônio, a família e a responsabilidade dos pais ganhou expressão em documentos como a Familiaris Consortio e a Carta às Famílias.
Entretanto, a história de João Paulo II também foi marcada pelo sofrimento.
Em 13 de maio de 1981, enquanto percorria a Praça de São Pedro antes da audiência geral, foi atingido por disparos realizados por Mehmet Ali Ağca. Gravemente ferido, foi levado ao Hospital Gemelli, onde passou por uma longa cirurgia. Durante sua recuperação, manifestou publicamente o perdão ao homem que havia tentado matá-lo.
A saúde continuaria a impor limitações. Em julho de 1992, João Paulo II foi submetido a uma cirurgia para a retirada de um tumor intestinal benigno. Em 1994, uma queda provocou a fratura do fêmur direito, exigindo nova intervenção cirúrgica. Mesmo debilitado, continuou exercendo o ministério e mantendo intensa atividade pastoral.
A passagem do tempo, porém, tornou visível outro aspecto de sua figura: o sofrimento transformado em testemunho. Já nos últimos anos, quando suas limitações físicas eram evidentes, João Paulo II não procurou esconder a fragilidade. Sua presença diante dos fiéis tornou-se também uma forma silenciosa de ensinar que a dignidade humana não desaparece quando diminuem as forças do corpo.
Seu pontificado atravessou acontecimentos decisivos do final do século XX. Viu a Europa Oriental passar por profundas transformações, acompanhou a aproximação do novo milênio e conduziu a Igreja durante o Grande Jubileu do ano 2000. Nesse período, proclamou anos especiais de oração e renovação espiritual, entre eles o Ano da Redenção, o Ano Mariano e o Ano da Eucaristia.
Em 2 de abril de 2005, às 21h37, João Paulo II morreu no Palácio Apostólico Vaticano, aos 84 anos. Era a vigília do Domingo da Divina Misericórdia, celebração que ele havia instituído para toda a Igreja após a canonização de Santa Faustina Kowalska. Seu funeral foi celebrado em 8 de abril, na Praça de São Pedro, diante de uma multidão que veio de diferentes partes do mundo.
Seis anos depois, em 1º de maio de 2011, Bento XVI o beatificou na Praça de São Pedro. Na homilia, recordou especialmente seu testemunho de fé e sofrimento.
Em 27 de abril de 2014, no Domingo da Divina Misericórdia, o Papa Francisco proclamou João Paulo II santo, juntamente com João XXIII. A canonização reuniu milhares de fiéis na Praça de São Pedro e tornou pública a inscrição definitiva de Karol Wojtyła entre os santos da Igreja.
A vida de João Paulo II começou em uma pequena cidade polonesa e terminou no coração de Roma. Entre esses dois lugares houve guerra, perdas, trabalho, sacerdócio, episcopado, Concílio, viagens, encontros, sofrimento e quase três décadas de serviço à Igreja.
Ele conheceu a dor de perto, mas não permitiu que ela tivesse a última palavra. Conheceu o poder, mas o compreendeu como serviço. Conheceu multidões, mas conservou a centralidade da oração.
Sua história foi a de um homem que atravessou um dos períodos mais turbulentos do século XX levando consigo uma convicção que marcou toda a sua existência: a vida humana encontra seu sentido quando se abre a Cristo.
São João Paulo II, rogai por nós!
Ó São João Paulo, da janela do céu, dá-nos a tua bênção!
Abençoa a Igreja, que tu amaste, serviste e guiaste, incentivando-a a caminhar corajosamente pelos caminhos do mundo, para levar Jesus a todos e todos a Jesus!
Abençoa os jovens, que também foram tua grande paixão.
Ajuda-os a voltar a sonhar, voltar a dirigir o olhar ao alto para encontrar a luz que ilumina os caminhos da vida na terra.
Abençoa as famílias, abençoa cada família!
Tu percebeste a ação de Satanás contra esta preciosa e indispensável faísca do céu que Deus acendeu sobre a terra.
São João Paulo, com a tua intercessão, protege as famílias e cada vida que nasce dentro da família.
Roga pelo mundo inteiro, ainda marcado por tensões, guerras e injustiças.
Tu te opuseste à guerra, invocando o diálogo e semeando o amor; roga por nós, para que sejamos incansáveis semeadores de paz.
Ó São João Paulo, da janela do céu, onde te vemos junto a Maria, faz descer sobre todos nós a bênção de Deus!
Amém.
(Texto: Cardeal Angelo Comastri)
Pesquisa e Texto: Equipe PASCOM Catedral
Oração: Aleteia