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Santa Helena

Santa Helena

Santa Helena: a imperatriz que procurou a Cruz e encontrou a eternidade

Ao longo da história da Igreja, poucas mulheres exerceram influência tão profunda sobre o destino do cristianismo quanto Santa Helena. Seu nome, de origem grega, significa "tocha resplandecente", expressão que parece antecipar a missão que lhe seria confiada pela Providência: iluminar uma época marcada pela passagem das sombras das perseguições para a aurora da liberdade religiosa. Mãe do imperador Constantino, ela seria recordada não pelo brilho da coroa imperial, mas pela humildade com que colocou seu poder a serviço de Cristo e pelo incansável desejo de conservar para as gerações futuras os lugares santos da Redenção.

Helena nasceu por volta do ano 250 — segundo a tradição mais difundida — na região da Bitínia, na Ásia Menor, embora antigas fontes também a relacionem com a cidade de Drepano, posteriormente chamada Helenópolis em sua homenagem. Era filha de uma família simples e, conforme antigos relatos, seu pai trabalhava como hospedeiro. A jovem distinguia-se pela beleza, pela inteligência e pela serenidade de espírito, qualidades que chamaram a atenção de um promissor oficial romano: Constâncio Cloro.

O encontro entre ambos mudou profundamente o rumo de sua vida. Unidos em matrimônio, tiveram um único filho, Constantino, que mais tarde entraria para a história como um dos imperadores mais importantes do mundo romano.

Entretanto, a tranquilidade familiar foi interrompida pelas ambições políticas do Império.

Quando o imperador Maximiano ofereceu a Constâncio uma posição de destaque no governo, exigiu, em contrapartida, que ele rompesse sua união com Helena e se casasse com uma mulher ligada à família imperial. Seduzido pela possibilidade de ascensão política, Constâncio aceitou a proposta. Helena foi repudiada e afastada da corte.

Começava, assim, um dos períodos mais dolorosos de sua existência.

Durante cerca de catorze anos, experimentou a solidão, a humilhação e o abandono. Aquela que um dia compartilhara os sonhos do futuro imperador viu-se privada da vida que conhecia. Contudo, foi justamente nesse silêncio imposto pelas circunstâncias que sua alma encontrou um tesouro infinitamente maior do que qualquer dignidade humana.

Foi nesse tempo de provação que Helena conheceu profundamente a fé cristã.

Enquanto o Império ainda perseguia os discípulos de Cristo, ela abraçou discretamente o Evangelho, deixando que a esperança substituísse o ressentimento e que a confiança em Deus curasse as feridas deixadas pelos homens. Sua conversão transformou radicalmente sua maneira de viver. A riqueza deixou de significar poder; passou a representar oportunidade para praticar a caridade.

Poucos anos depois, a história do Império tomou um rumo inesperado.

Com a morte de Constâncio Cloro, o exército proclamou Constantino como imperador. Antes da decisiva batalha da Ponte Mílvia, travada nas proximidades de Roma, em 312, Constantino teve uma visão que marcaria para sempre sua vida. Segundo o testemunho preservado pelos antigos historiadores cristãos, contemplou no céu o sinal da cruz acompanhado da promessa: "Com este sinal vencerás."

Obedecendo à inspiração recebida, ordenou que o símbolo de Cristo fosse colocado nos estandartes de seu exército.

A vitória transformou não apenas o destino do imperador, mas também o da própria Igreja.

No ano seguinte, por meio do Édito de Milão, promulgado em 313 juntamente com Licínio, foi reconhecida a liberdade religiosa para os cristãos, encerrando oficialmente os séculos de perseguições promovidas pelo Estado romano. A fé, antes celebrada nas catacumbas e escondida sob o risco constante do martírio, podia finalmente manifestar-se publicamente.

Constantino jamais esqueceu a influência de sua mãe.

Concedeu-lhe o título de Augusta, dignidade reservada às imperatrizes, permitiu que sua imagem fosse cunhada em moedas do Império e colocou à sua disposição amplos recursos financeiros. Helena, porém, utilizou essa posição de maneira muito diferente daquela esperada pela nobreza romana.

Segundo relata Santo Ambrósio, a imperatriz preferia vestir-se com simplicidade, aproximava-se dos pobres sem ostentação, visitava os necessitados e distribuía generosamente esmolas. Via nos desfavorecidos os irmãos de Cristo e compreendia que a verdadeira grandeza de um soberano consiste em servir.

Já em idade avançada, movida por intensa devoção, empreendeu uma peregrinação à Terra Santa, provavelmente entre os anos 326 e 328.

Jerusalém ainda conservava as marcas da destruição promovida pelos romanos dois séculos antes. Sobre muitos dos lugares ligados à Paixão de Cristo haviam sido construídos edifícios pagãos. Helena desejava devolver aqueles locais à veneração cristã.

Sob sua iniciativa, realizaram-se escavações na região do Gólgota, onde a tradição cristã localizava a crucifixão e o sepultamento de Jesus.

A tradição cristã, preservada desde a Antiguidade e registrada por diversos autores eclesiásticos, afirma que durante essas escavações foi encontrada a Santa Cruz, juntamente com outros objetos relacionados ao suplício do Senhor. O episódio tornou-se um dos acontecimentos mais venerados da história da Igreja, fortalecendo ainda mais a devoção ao mistério da Paixão de Cristo.

Durante essa mesma peregrinação, Helena promoveu a construção de importantes basílicas destinadas a preservar a memória dos acontecimentos da vida de Jesus.

Mandou erguer um templo sobre o Calvário e o Santo Sepulcro, outro no Monte das Oliveiras e outro em Belém, junto ao local tradicionalmente reconhecido como o nascimento de Cristo. Essas igrejas tornaram-se alguns dos primeiros grandes centros de peregrinação cristã da história.

A tradição também atribui à imperatriz a transferência para Roma da chamada Escada Santa, identificada como a escadaria do pretório de Pôncio Pilatos, pela qual Jesus teria subido durante seu julgamento. Instalada junto ao complexo da Basílica de São João de Latrão, ela continua sendo, até hoje, um dos mais venerados lugares de oração da cristandade. Em 1723, recebeu revestimento de madeira de nogueira para proteger os degraus originais, desgastados pelo constante fluxo de peregrinos que, em espírito de penitência, os sobem de joelhos.

Os últimos anos de Santa Helena transcorreram em oração, obras de misericórdia e dedicação às necessidades da Igreja nascente. A mulher que conhecera o abandono tornou-se mãe espiritual de incontáveis pobres. A imperatriz que poderia ter buscado honrarias preferiu deixar como herança igrejas, santuários e gestos de compaixão.

Sua morte ocorreu, segundo a tradição histórica, por volta do ano 330. Logo sua memória espalhou-se por todo o mundo cristão. Oriente e Ocidente passaram a venerá-la como exemplo de fé perseverante, humildade e amor à Cruz de Cristo.

A história de Santa Helena recorda que Deus frequentemente transforma as maiores dores humanas em instrumentos de salvação. A mulher rejeitada pelo poder tornou-se colaboradora da liberdade da Igreja; a mãe do imperador preferiu servir aos pobres; e aquela que buscou a Cruz de Cristo encontrou, nela, o caminho da verdadeira realeza: a santidade.
Santa Helena, rogai por nós!

Reflexão

Santa Helena é a figura materna que preocupou-se a vida toda com seu filho, mas não descuidou-se do zelo apostólico para com os mais pobres. Soube conviver com a separação do marido e do filho e quando encontrou-se cercada de belezas reais não deixou de lado o cuidado com os necessitados. Que Deus conceda aos corações maternos muita paciência e sabedoria.

Oração

Ó Deus, que concedestes a Santa Helena, mãe de Constantino, Imperador de Roma, a graça da piedade cristã e das resolutas atividades em prol da Verdade Histórica da fé, dai-me também ser sempre ativo e trabalhador pela causa do Evangelho. Santa Helena, rogai por nós.

Pesquisa e Texto: Equipe PASCOM Catedral
Reflexão e Oração: A12 Santuário Nacional