Santo do Dia
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São Maximiliano Maria Kolbe

São Maximiliano Maria Kolbe

São Maximiliano Maria Kolbe: o homem que respondeu ao ódio com o amor

A história do século XX conheceu homens capazes de construir máquinas de destruição jamais imaginadas. No mesmo século, porém, Deus suscitou almas cuja grandeza não se media pela força das armas, mas pela capacidade de amar até o fim. Entre elas brilhou São Maximiliano Maria Kolbe, sacerdote franciscano, missionário, comunicador da fé e mártir da caridade, cuja vida provou que o amor é mais forte que o medo e que a esperança pode florescer até mesmo atrás dos arames farpados de um campo de concentração.

Raimundo Kolbe nasceu em 8 de janeiro de 1894, na pequena cidade de Zduńska Wola, território polonês então submetido ao domínio do Império Russo. Era filho de Júlio Kolbe, tecelão, e de Maria Dąbrowska, ambos pertencentes à Ordem Franciscana Secular e profundamente comprometidos com a educação cristã dos filhos. Naquele lar simples, a oração fazia parte do cotidiano e a fé ensinava que nenhuma circunstância era capaz de impedir a ação da Providência.

Ainda menino, Raimundo viveu uma experiência que marcaria toda a sua existência. Após uma repreensão da mãe por alguma travessura, retirou-se para rezar diante de uma imagem de Nossa Senhora. Anos depois, contaria que a Virgem lhe apareceu segurando duas coroas: uma branca, símbolo da pureza, e outra vermelha, símbolo do martírio. Perguntou-lhe se estava disposto a aceitar ambas. O menino respondeu sem hesitar que sim. Essa recordação permaneceu gravada em sua alma como uma promessa silenciosa que somente décadas depois alcançaria seu pleno cumprimento.

Aos treze anos ingressou no seminário dos Frades Menores Conventuais, em Lviv — cidade então pertencente ao Império Austro-Húngaro. Ali recebeu o nome religioso de Maximiliano. Dotado de inteligência notável, destacou-se nos estudos filosóficos e teológicos, sendo enviado a Roma para completar sua formação. Frequentou a Pontifícia Universidade Gregoriana, onde obteve doutorado em Filosofia, e a Pontifícia Faculdade de São Boaventura, na qual concluiu o doutorado em Teologia.

Foi ordenado sacerdote em 28 de abril de 1918.

Roma vivia dias de intensos confrontos ideológicos. Cresciam manifestações anticlericais e movimentos hostis à Igreja. Maximiliano percebia que o Evangelho precisava dialogar com um mundo em rápida transformação e compreendia que a evangelização exigia coragem, inteligência e criatividade.

No ano anterior à sua ordenação, em 16 de outubro de 1917, fundou a Milícia da Imaculada (Militia Immaculatae), movimento de espiritualidade mariana destinado a promover a consagração total à Virgem Maria e a evangelização mediante todos os meios moralmente legítimos. Para ele, Maria não era apenas objeto de devoção, mas o caminho mais seguro para conduzir as almas ao encontro de Cristo.

Seu ardor missionário logo encontrou um instrumento moderno.

Enquanto muitos viam a imprensa apenas como veículo de informação, Maximiliano enxergava nela um púlpito capaz de alcançar multidões. Em 1922 publicou os primeiros quinhentos exemplares da revista Cavaleiro da Imaculada (Rycerz Niepokalanej). O pequeno periódico cresceu rapidamente. Em poucos anos, sua circulação atingiria centenas de milhares de exemplares e, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, aproximava-se da marca de um milhão de cópias mensais, tornando-se uma das maiores publicações católicas do mundo.

O sacerdote não desejava apenas editar jornais.

Sonhava construir uma verdadeira cidade dedicada à evangelização.

Assim nasceu, em 1927, Niepokalanów, a "Cidade da Imaculada", próxima a Varsóvia. O convento tornou-se um extraordinário centro missionário, reunindo centenas de frades que trabalhavam em tipografias, oficinas gráficas, emissoras de rádio e diversos apostolados. Tudo ali era organizado para anunciar Cristo por meio da devoção mariana.

Seu olhar, entretanto, alcançava horizontes ainda mais distantes.

Atendendo ao apelo missionário da Igreja, partiu em 1930 para o Japão. Apesar das dificuldades culturais e linguísticas, fundou em Nagasaki outro convento dedicado à Imaculada, conhecido como Mugenzai no Sono, e iniciou uma edição japonesa do Cavaleiro da Imaculada. Curiosamente, escolheu construir o convento numa encosta considerada inadequada por muitos. Anos depois, quando a bomba atômica destruiu grande parte de Nagasaki em 1945, aquela localização preservou o convento dos danos mais devastadores, fato frequentemente recordado pelos frades como expressão da providência divina.

Após breve passagem pela Índia e outras iniciativas missionárias, retornou definitivamente à Polônia em 1936, reassumindo a direção de Niepokalanów.

Então veio a guerra.

Em setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia. O convento abriu suas portas para milhares de refugiados, entre eles numerosos judeus perseguidos pelo regime nazista. Maximiliano organizou abrigo, distribuição de alimentos, assistência espiritual e cuidados aos necessitados, sem distinção de origem ou religião.

Foi preso pela primeira vez naquele mesmo ano juntamente com diversos confrades. Libertado meses depois, continuou exercendo discretamente seu ministério, mesmo sob constante vigilância das autoridades alemãs.

No dia 17 de fevereiro de 1941, a Gestapo voltou.

Desta vez sua liberdade terminaria definitivamente.

Após breve permanência na prisão de Pawiak, em Varsóvia, foi deportado para o campo de concentração de Auschwitz, onde recebeu o número 16670.

Os nazistas procuravam destruir toda identidade humana.

Os nomes desapareciam.

Restavam apenas números.

Mas Maximiliano recusava-se a permitir que seus companheiros perdessem a esperança. Dividia o pouco alimento que recebia, escutava confissões quando possível, rezava discretamente com os prisioneiros, confortava os desesperados e ensinava que nem mesmo a violência podia apagar a dignidade de um filho de Deus.

No fim de julho de 1941, um detento conseguiu escapar do campo.

Como represália, o comandante Karl Fritzsch escolheu dez homens para morrer de fome em um bunker subterrâneo.

Entre eles estava o sargento polonês Franciszek Gajowniczek.

Ao ouvir a sentença, o homem começou a lamentar-se: "Minha esposa... meus filhos..."

Foi então que um prisioneiro deixou silenciosamente sua fila e caminhou até o oficial alemão. Era o padre Maximiliano.

Com serenidade, pediu licença para ocupar o lugar do condenado. Surpreso, o comandante perguntou quem ele era.

A resposta foi simples: "Sou um sacerdote católico."

Inesperadamente, o pedido foi aceito.
Franciszek voltou para a fila dos sobreviventes. Kolbe entrou voluntariamente na cela da morte.

Durante cerca de duas semanas, naquele subterrâneo escuro destinado ao desespero, ouviam-se cânticos, salmos e orações. Os guardas testemunharam que o sacerdote sustentava espiritualmente os demais condenados, transformando aquele lugar de sofrimento numa verdadeira capela improvisada.

Quando quase todos já haviam morrido, Maximiliano permanecia vivo.

No dia 14 de agosto de 1941, vigília da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, os nazistas decidiram encerrar a execução aplicando-lhe uma injeção de ácido carbólico.

Segundo testemunhos, recebeu a morte em oração, oferecendo serenamente o braço ao carrasco.

No dia seguinte, 15 de agosto, festa da Assunção da Virgem Maria, seu corpo foi cremado nos fornos de Auschwitz.

Parecia que tudo havia terminado. 
Na verdade, sua missão apenas começava.

Franciszek Gajowniczek sobreviveu ao campo de concentração e dedicou o restante da vida a testemunhar o gesto daquele sacerdote que lhe devolvera a existência. Em numerosas peregrinações e celebrações, repetia emocionado que vivera graças ao amor de um homem que escolhera morrer em seu lugar.

Em 17 de outubro de 1971, o Papa São Paulo VI beatificou Maximiliano Kolbe.

Pouco mais de uma década depois, em 10 de outubro de 1982, diante de milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro — entre eles o próprio Franciszek Gajowniczek — São João Paulo II proclamou-o santo, conferindo-lhe um título singular na história da Igreja: Mártir da Caridade.

Sua vida continua lembrando ao mundo que a verdadeira força nunca nasce da violência.

Ela nasce daquele coração que, unido a Cristo e confiado à proteção da Imaculada, é capaz de entregar livremente a própria vida para que outro possa viver.

São Maximiliano Maria Kolbe demonstrou que o amor cristão não é uma teoria nem um ideal distante. É uma decisão concreta, tomada no instante mais difícil, quando alguém escolhe transformar o sofrimento em oferta, o medo em esperança e a própria morte em um testemunho luminoso da vitória definitiva de Cristo.
São Maximiliano Maria Kolbe, rogai por nós!

Reflexão

Um santo é sempre um dom de Deus para a Igreja e a Humanidade. Maximiliano Kolbe o é de um modo particularmente eloqüente. Houve sempre necessidade de santos; mas hoje é preciso um tipo especial. Frei Maximiliano Kolbe é figura exemplar que encarna no modo mais profundo a revelação contra o horror de nosso tempo. O Papa João Paulo II o chamou de "padroeiro do nosso difícil século XX”.

Oração

Ó Deus de admirável providência, que, no mártir São Maximiliano Maria Kolbe destes ao vosso povo pastor corajoso e forte, concedei-nos, pela sua intercessão, ajuda nas tribulações e firme constância na fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Pesquisa e Texto: Equipe PASCOM Catedral
Reflexão e Oração: A12 Santuário Nacional