Alexandre Sauli nasceu em Milão, em 1534, no seio de uma família ligada à antiga nobreza genovesa. Desde cedo demonstrou inteligência, sensibilidade religiosa e grande inclinação para o estudo. Mas sua vida não seria conduzida pelas possibilidades que sua origem lhe oferecia. Ainda jovem, escolheu outro caminho: o serviço de Deus na Congregação dos Clérigos Regulares de São Paulo, os Barnabitas.
Entre os Barnabitas, encontrou o ambiente em que poderia unir estudo, oração e apostolado. Ordenado sacerdote, dedicou-se especialmente à pregação, ao sacramento da Reconciliação e à formação dos jovens. Sua capacidade intelectual levou-o ao ensino de Filosofia e Teologia, mas os estudos jamais o afastaram das pessoas. Para Alexandre, conhecer a verdade significava também aprender a transmiti-la e a conduzir outros até ela.
Essa preocupação com a formação acompanharia toda a sua existência. Mais tarde, estudos históricos sobre sua vida destacariam justamente esse aspecto: como religioso, professor, superior e bispo, Sauli permaneceu essencialmente um educador e formador de consciências.
Sua dedicação fez com que assumisse responsabilidades importantes dentro da congregação. Em 1567, ainda relativamente jovem, foi eleito superior geral dos Barnabitas. Tinha pouco mais de trinta anos. À frente da ordem, empenhou-se em fortalecer a disciplina religiosa e a formação dos seus membros, contribuindo para a renovação da congregação no período posterior ao Concílio de Trento.
Mas Deus o conduziria para um campo ainda mais exigente.
Em 1570, o papa São Pio V nomeou Alexandre Sauli bispo de Aleria, na Córsega. Recebeu a ordenação episcopal pelas mãos de São Carlos Borromeu, uma das grandes figuras da reforma católica do século XVI, e partiu para aquela diocese levando consigo alguns companheiros de sua congregação.
O cenário que encontrou era difícil. A diocese precisava de uma profunda renovação pastoral. Havia comunidades sem assistência adequada, igrejas que necessitavam de restauração, formação religiosa insuficiente e costumes que precisavam ser corrigidos. Alexandre não se limitou a administrar de longe aquilo que lhe havia sido confiado.
Começou a visitar seu povo.
Foi de comunidade em comunidade, conhecendo as necessidades concretas da diocese. Procurou reorganizar a vida religiosa, melhorar a formação do clero, estimular a catequese e cuidar da dignidade do culto. Também dedicou especial atenção à educação dos jovens e à formação daqueles que seriam chamados ao sacerdócio. Sua ação em Aleria tornou-se tão marcante que recebeu posteriormente o título de “Apóstolo da Córsega”.
Alexandre compreendia que uma Igreja renovada precisava de pastores preparados e de comunidades bem formadas. Por isso, sua atuação não se limitava à pregação. Ele organizava, ensinava, corrigia, acompanhava e procurava formar pessoas capazes de levar adiante a renovação iniciada.
Mesmo exercendo a autoridade episcopal, conservou o espírito de austeridade aprendido na vida religiosa. A tradição de sua vida destaca sua oração, penitência e generosidade para com os pobres. Os recursos de que dispunha como bispo não eram vistos como propriedade pessoal, mas como meios para servir.
Sua reputação espalhou-se pela Córsega e ultrapassou as fronteiras da ilha. Outras cidades desejaram tê-lo como pastor. Mas Alexandre estava profundamente ligado à diocese de Aleria, onde havia trabalhado durante mais de vinte anos. Ali conhecia as pessoas, suas necessidades e as dificuldades que ainda precisavam ser enfrentadas.
Entretanto, a obediência que havia aprendido como religioso também fazia parte de sua vocação episcopal.
Em 1591, o papa Gregório XIV transferiu-o para a Diocese de Pavia. Alexandre deixou a Córsega e assumiu a nova missão. Chegando a Pavia, não perdeu tempo. Iniciou uma visita pastoral que o levou a conhecer de perto sua nova diocese. Documentos históricos registram uma visita à cidade realizada entre 13 de janeiro e 22 de abril de 1592, revelando novamente seu modo direto de exercer o episcopado.
Mas sua passagem por Pavia seria breve.
Durante uma visita pastoral, Alexandre adoeceu gravemente. Encontrava-se em Calosso d'Asti, um dos últimos pontos da Diocese de Pavia, quando sua vida chegou ao fim, em 11 de outubro de 1592. Tinha apenas 58 anos.
Sua morte não interrompeu a memória de sua obra. Pelo contrário, a fama de santidade que já o acompanhava em vida se fortaleceu. Os testemunhos reunidos nos processos de beatificação e canonização ressaltaram justamente a imagem do bom pastor, cuja santidade estava inseparavelmente ligada ao trabalho realizado entre o povo.
O reconhecimento da Igreja veio posteriormente. Alexandre Sauli foi beatificado pelo papa Bento XIV em 1741. Depois de um longo processo de investigação sobre sua vida e suas virtudes, foi canonizado pelo papa São Pio X em 1904.
Sua memória permanece especialmente viva entre os Barnabitas, que o veneram também como patrono dos estudantes. Sua história continua ligada à formação, à educação e à renovação da vida cristã.
Alexandre Sauli não foi um bispo que se contentou com títulos. Foi um pastor que caminhou entre as pessoas. Não foi apenas professor de Filosofia e Teologia; tornou-se também mestre de vida espiritual. Não foi somente superior de uma congregação; tornou-se servidor de comunidades inteiras.
Da juventude em Milão às montanhas da Córsega, e depois às terras de Pavia, sua existência foi marcada por uma mesma convicção: a reforma da Igreja começa pela transformação do coração e pela formação daqueles que a servem.
Morreu durante uma visita pastoral, exatamente no lugar onde desejava estar: junto do povo que lhe havia sido confiado.
E assim terminou a vida daquele que a Igreja reconheceu como santo pastor — um homem que fez da oração o fundamento, do conhecimento um instrumento e do serviço a sua verdadeira autoridade.
Santo Alexandre Sauli, rogai por nós!
Santo Alexandre Sauli, o tempo passou, mas vosso nome permaneceu entre nós, porque tivestes a graça, e a ela correspondestes, de escolher a melhor parte que jamais lhe será tirada. Hoje, mesmo na imensa alegria dos eleitos, sabeis que nosso mundo se encontra decadente e o mal avassala em todos os ambientes. Olhai benignamente os que sofrem a descrença e a desilusão causadas até mesmo por alguns que se dizem cristãos, mas que se comportam como pagãos que não conhecem a Deus. Olhai por todo o clero; pelos nossos sacerdotes, bispos e cardeais; pelo nosso santo Papa e nossos seminaristas. Dispensai vossos cuidados a todos os que se encontram na missão de levar o Evangelho ao mundo. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Pesquisa e Texto: Equipe PASCOM Catedral
Oração: Orações da Igreja Católica