Santo do Dia
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São Caetano de Thiene

São Caetano de Thiene

O santo que ensinou que o rosto de Cristo se encontra entre os pobres

No coração do Renascimento italiano, quando a Europa conhecia extraordinário florescimento das artes e das ciências, mas também experimentava profundas crises sociais, morais e religiosas, Deus preparava um homem destinado a recordar que nenhuma reforma seria verdadeira se não começasse pela conversão do coração. Chamava-se Caetano de Thiene, sacerdote de inteligência refinada, coração profundamente compassivo e confiança absoluta na Providência Divina.

Sua vida inteira pode ser resumida numa frase que repetia com convicção:

"No oratório rendemos a Deus a homenagem da adoração; no hospital, encontramo-Lo pessoalmente."

Nessas poucas palavras estava condensado todo o seu modo de compreender o Evangelho.

Caetano nasceu em Vicenza, na República de Veneza, no ano de 1480. Pertencia à nobre família dos condes de Thiene. Seu pai, Gaspar de Thiene, faleceu quando ele ainda era criança, deixando sua formação principalmente aos cuidados da mãe, Maria Porto, mulher profundamente cristã que lhe transmitiu o amor pela oração, pela Eucaristia e pela prática constante da caridade.

Desde cedo revelou inteligência incomum.

Foi enviado à célebre Universidade de Pádua, um dos maiores centros de estudos da Europa, onde concluiu sua formação em Teologia e recebeu o doutorado em Direito Civil e Direito Canônico. A combinação entre sólida cultura jurídica e profunda formação religiosa preparava-o para uma carreira brilhante tanto na administração quanto na vida eclesiástica.

Mas seus projetos eram maiores do que qualquer prestígio humano.

Movido pelo desejo de servir diretamente à Igreja, transferiu-se para Roma. Sua competência chamou rapidamente a atenção do Papa Júlio II, que o nomeou protonotário apostólico e secretário pontifício. Jovem, culto e pertencente à nobreza, parecia destinado a ocupar elevados cargos na Cúria Romana.

Entretanto, Deus conduzia seu coração por outro caminho.

A convivência com a realidade da Igreja despertou nele um desejo ainda mais profundo: não bastava administrar questões eclesiásticas; queria entregar inteiramente sua vida ao ministério sacerdotal. Após a morte de Júlio II, afastou-se das funções administrativas para preparar-se cuidadosamente para a ordenação.

Em 1516, aos trinta e seis anos, recebeu o sacerdócio.

A partir daquele momento, toda a sua inteligência, sua cultura e sua posição social passaram a servir exclusivamente ao Reino de Deus.

Seu primeiro grande projeto foi a fundação da Confraria do Amor Divino, associação formada por sacerdotes e leigos que desejavam renovar a própria vida espiritual através da oração, da assistência aos enfermos e da prática concreta da caridade. O grupo compreendia que nenhuma reforma da Igreja poderia nascer apenas de leis ou estruturas; deveria começar pela santidade daqueles que a compunham.

Pouco depois, Caetano aproximou-se do Oratório de São Jerônimo, comunidade que reunia clérigos e também pessoas pobres desejosas de viver intensamente o Evangelho.

Essa decisão surpreendeu muitos de seus conhecidos.

Alguns amigos não conseguiam compreender por que um homem de família nobre preferia conviver diariamente com doentes, abandonados e marginalizados. Aos olhos da sociedade, sua posição exigiria ambientes mais prestigiosos.

Caetano, porém, enxergava outra realidade.

Enquanto muitos evitavam os enfermos, sobretudo aqueles acometidos por doenças consideradas repugnantes ou contagiosas, ele os visitava pessoalmente, limpava suas feridas, confortava-lhes o sofrimento e lhes levava os sacramentos. Não via apenas pacientes; reconhecia em cada um deles o próprio Cristo sofredor.

Essa dedicação levou-o a colaborar intensamente com instituições hospitalares, especialmente com o Hospital dos Incuráveis de Veneza, referência no cuidado daqueles que a sociedade frequentemente abandonava à própria sorte.

Sua espiritualidade alimentava-se continuamente da Eucaristia.

Durante sua permanência em Veneza, incentivou vigorosamente a comunhão frequente, numa época em que muitos cristãos aproximavam-se da Mesa do Senhor apenas poucas vezes ao ano, frequentemente dominados pelo medo ou por um exagerado sentimento de indignidade.

Escreveu certa vez:

"Não estarei satisfeito até que veja os cristãos aproximarem-se do banquete celestial com a simplicidade de crianças famintas e alegres, e não cheios de medo e falsa vergonha."

Essas palavras revelavam seu desejo de aproximar os fiéis da misericórdia de Deus, antecipando uma prática que, séculos mais tarde, seria amplamente incentivada pela Igreja.

O tempo em que viveu era profundamente conturbado.

Enquanto Martinho Lutero iniciava a Reforma Protestante em 1517, muitas vozes denunciavam abusos e fragilidades existentes na vida eclesial. Caetano também percebia a necessidade de profundas mudanças. Entretanto, jamais acreditou que a divisão pudesse curar as feridas da Igreja.

Sua resposta foi outra.

Não desejava romper a unidade, mas restaurá-la mediante uma autêntica renovação espiritual.

Foi com esse propósito que, em 1524, juntamente com Gian Pietro Carafa — futuro Papa Paulo IV —, Bonifácio de Colle e Paulo Consiglieri, fundou a Ordem dos Clérigos Regulares, posteriormente conhecida como Ordem dos Teatinos.

Os novos religiosos escolheram viver radicalmente segundo o Evangelho.

Recusavam benefícios e rendas fixas, confiando inteiramente na Providência Divina. Não pediam esmolas de forma direta e evitavam acumular recursos, certos de que Deus jamais abandonaria aqueles que se entregavam completamente ao seu serviço. Essa confiança tornou-se uma das marcas mais conhecidas da espiritualidade teatina.

Ao mesmo tempo, dedicavam-se à formação do clero, à pregação da doutrina católica, à celebração digna da liturgia, ao atendimento dos enfermos e à administração frequente dos sacramentos.

Nem todos compreenderam sua proposta.

Alguns desconfiavam daquela reforma silenciosa; outros julgavam excessivo seu rigor evangélico. Houve incompreensões, perseguições e momentos de grande dificuldade, especialmente durante o Saque de Roma, em 1527, quando Caetano foi preso, torturado e sofreu graves humilhações antes de conseguir refugiar-se em Veneza.

As provações, porém, jamais diminuíram sua confiança em Deus.

Seu olhar permanecia voltado especialmente para os pobres.

Ao lado do Beato João Marinoni, promoveu a criação dos chamados Montes de Piedade, instituições destinadas a conceder empréstimos sem os juros abusivos praticados pelos agiotas. Essas obras ofereciam aos trabalhadores humildes uma oportunidade de enfrentar dificuldades financeiras sem cair na miséria provocada pela usura. Era uma forma concreta de combater a pobreza não apenas pela assistência imediata, mas também pela promoção da dignidade das pessoas.

A mesma caridade inspirou a fundação de hospitais, casas de acolhimento e um asilo destinado aos idosos abandonados.

Para Caetano, a evangelização nunca podia separar o anúncio da Palavra das obras de misericórdia.

Os anos passaram consumindo lentamente suas forças.

Mesmo debilitado pela idade e pelas inúmeras penitências, continuava fiel à simplicidade que marcara toda a sua existência.

Quando a enfermidade se agravou e os médicos insistiram para que substituísse a dura cama de tábuas por um colchão mais confortável, respondeu serenamente:

"Meu Salvador morreu sobre a cruz; deixai-me morrer também sobre um madeiro."

Era a síntese de toda a sua espiritualidade.

Aquele que passara a vida inteira contemplando Cristo crucificado desejava também unir seus últimos sofrimentos aos do Redentor.

No dia 7 de agosto de 1547, em Nápoles, entregou sua alma a Deus aos setenta e sete anos.

Sua fama de santidade espalhou-se rapidamente pela Itália e por toda a Europa. A Ordem dos Teatinos continuou expandindo sua missão, contribuindo significativamente para a renovação espiritual da Igreja durante a Reforma Católica e formando sacerdotes conhecidos pelo zelo pastoral, pela sólida formação doutrinária e pela intensa vida de oração.

Em 1671, o Papa Clemente X inscreveu oficialmente seu nome entre os santos da Igreja.

Com o passar dos séculos, sua confiança absoluta na Providência fez nascer uma devoção muito particular.

Milhares de trabalhadores passaram a recorrer à sua intercessão pedindo emprego, sustento digno e o pão necessário para suas famílias. Assim, São Caetano tornou-se amplamente conhecido como padroeiro do pão e do trabalho, lembrando que toda atividade humana encontra sua verdadeira dignidade quando é vivida como colaboração com a obra criadora de Deus.

Essa devoção floresceu de modo especial na Argentina.

Muito antes de ser eleito Papa, o então cardeal Jorge Mario Bergoglio cultivava profunda veneração por São Caetano. Todos os anos, multidões de peregrinos dirigem-se ao Santuário de São Caetano, no bairro de Liniers, em Buenos Aires, levando nas mãos espigas de trigo, pães, carteiras de trabalho e intenções silenciosas. Muitos aguardam horas em longas filas para agradecer graças recebidas ou confiar ao santo as dificuldades de suas famílias.

A cena se repete ano após ano.

Entre operários, desempregados, empresários, mães de família, idosos e jovens, permanece viva a certeza de que aquele sacerdote italiano do século XVI continua apontando para Aquele que jamais abandona os que confiam em sua Providência.

São Caetano de Thiene compreendeu que a verdadeira riqueza nunca esteve nos títulos de nobreza, nos cargos importantes ou nos bens materiais que poderia ter acumulado. Encontrou-a nos corredores dos hospitais, na mesa dos pobres, na formação dos sacerdotes, na adoração ao Santíssimo Sacramento e na confiança absoluta de que Deus sempre cuida daqueles que colocam o Reino dos Céus acima de todas as coisas.

Por isso, sua vida permanece como um convite permanente à Igreja: adorar a Deus no altar, reconhecê-Lo no irmão necessitado e confiar, sem reservas, na Providência que jamais deixa faltar o pão material àqueles que buscam, antes de tudo, o pão da vida eterna.
São Caetano de Thiene, rogai por nós!

Reflexão

Caetano de Thiene implorava a reforma de vida e de costumes dentro da Igreja: “Cristo espera e ninguém se mexe”, repetia. Andava sempre em auxílio dos doentes, dos pobres e mendigos da região. Realizou na sua vida tudo aquilo que pregou. Nunca teve pressa de viver, mas aproveitou cada minuto de sua vida para socorrer os necessitados.

Oração

Deus Pai de bondade, ajudai-nos a confiar mais na vossa providência e concedei-nos, pela intercessão de São Caetano, buscar o que é santo e promover a paz e a caridade entre as pessoas. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

Pesquisa e Texto: Equipe PASCOM Catedral
Reflexão e Oração: A12 Santuário Nacional