Há presenças que não se veem, mas cuja lembrança atravessa os séculos. Assim é a presença dos Santos Anjos da Guarda na fé da Igreja: mensageiros de Deus, espíritos a serviço de seus desígnios e companheiros silenciosos daqueles que caminham rumo à salvação.
Neste dia em que a Igreja faz memória dos Santos Anjos da Guarda, a oração cristã volta-se para essa realidade invisível. O próprio nome “anjo” significa mensageiro ou enviado, expressão que corresponde ao modo como a Sagrada Escritura frequentemente apresenta esses seres espirituais: enviados por Deus para cumprir uma missão em favor de seu povo.
O Salmo 91 proclama: “Pois Ele encarregará seus anjos de guardar-te em todos os teus caminhos”. Essa imagem percorre a história da salvação. No Antigo Testamento, os anjos aparecem em momentos decisivos; no Novo Testamento, acompanham acontecimentos centrais da vida de Cristo. Estão presentes na Anunciação, anunciam o nascimento do Salvador, servem-no e testemunham acontecimentos ligados à sua Paixão e Ressurreição.
A Igreja contempla nessa realidade um ensinamento particularmente consolador. Se a humanidade de Cristo, unida ao Verbo eterno, foi cercada pelo ministério dos anjos, também nós, membros frágeis de seu Corpo, podemos confiar na providência divina que os envia em nosso auxílio.
O próprio Jesus deixou uma palavra decisiva ao falar dos “pequeninos”: “Eu vos digo, nos céus os seus anjos se mantêm sem cessar na presença do meu Pai que está nos céus” (Mt 18,10). A tradição cristã encontrou nesse ensinamento uma das bases para compreender a missão dos anjos na proteção dos seres humanos.
A Carta aos Hebreus acrescenta outra imagem poderosa: “Não são todos eles espíritos cumpridores de funções e enviados a serviço, em proveito daqueles que devem receber a salvação como herança?” (Hb 1,14). Não se trata, portanto, de imaginar os anjos como divindades independentes, mas como criaturas espirituais inteiramente voltadas para Deus e participantes de sua providência.
Essa compreensão foi aprofundada ao longo dos séculos pelos Padres da Igreja e pelos grandes mestres da teologia. São Basílio Magno ensinou que junto de cada fiel está um anjo como protetor e pastor, enquanto Santo Tomás de Aquino dedicou importante reflexão à natureza e à missão dos anjos. São Bernardo de Claraval também escreveu sobre sua presença e proteção, convidando os cristãos a reconhecerem, com fé, esse auxílio invisível.
O Catecismo da Igreja Católica resume essa antiga tradição de maneira particularmente bela: “Desde o início até à morte, a vida humana é cercada pela sua proteção e pela sua intercessão”. A Igreja, em sua liturgia, une-se aos anjos para adorar a Deus e invoca sua assistência.
A devoção aos Anjos da Guarda é antiga. Antes mesmo de existir uma festa universal dedicada especificamente a eles, diferentes Igrejas locais já celebravam sua memória. Há registros históricos de pedidos feitos por comunidades como Córdoba, Toledo e Valência para a celebração litúrgica dos Anjos da Guarda. Em 1608, o Papa Paulo V autorizou a celebração no calendário geral, inicialmente como festa facultativa. Mais tarde, em 1670, o Papa Clemente X estabeleceu a celebração em 2 de outubro para toda a Igreja.
A data permanece até hoje como a memória litúrgica dos Santos Anjos da Guarda. O Missal Romano conserva nessa celebração a súplica para que Deus, em sua providência, envie seus santos anjos para nos guardar e para que, protegidos por eles, possamos um dia participar de sua companhia eterna.
Por isso, a antiga oração ao Anjo da Guarda continua atravessando gerações:
“Anjo do Senhor, que por ordem da piedosa providência divina sois meu guardião, guardai-me neste dia; iluminai meu entendimento; dirigi meus afetos; governai meus sentimentos, para que eu jamais ofenda ao Deus e Senhor. Amém.”
Tal oração não é apenas um pedido de proteção contra os perigos visíveis. É também uma súplica para que sejamos conduzidos no caminho do bem, iluminados nas escolhas, fortalecidos diante das tentações e cada vez mais atentos à presença de Deus.
Os Santos Anjos da Guarda permanecem, assim, como uma das expressões mais delicadas da providência divina. Invisíveis aos nossos olhos, mas presentes na fé da Igreja, recordam-nos que a caminhada cristã não acontece no abandono. Há um Deus que cuida, conduz e chama à salvação.
Neste dia, portanto, vale renovar uma oração simples, aprendida muitas vezes ainda na infância: pedir ao nosso Anjo da Guarda que nos guarde, ilumine, governe e conduza.
Santos Anjos da Guarda, rogai por nós!
Os anjos da guarda têm missão semelhante à das mães. Na infância são muito exigidos e solicitados, socorrendo as crianças nas situações de perigo. E no fim de cada dia de trabalho intenso, os pais ensinam as crianças a agradecerem a ele, e assim vai se estabelecendo uma relação extremamente íntima entre cada criança e seu anjo protetor. Não importa que ele não tenha um nome ou um rosto. Cada criança tem o seu anjo da guarda.
"Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou a Piedade Divina, sempre me rege, me guarda, me governa e ilumina, agora e sempre. Amém!”.
Pesquisa e Texto: Equipe PASCOM Catedral
Reflexão e Oração: A12 Santuário Nacional