Santo do Dia
Diocese de Petrópolis - "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho"
Nossa Senhora do Rosário

Nossa Senhora do Rosário

Maria nos conduz ao coração de Cristo

Há orações que atravessam os séculos sem perder a simplicidade. Uma delas passa de mão em mão, de mãe para filho, de uma geração para outra: o Santo Rosário. Suas contas deslizam entre os dedos enquanto os lábios repetem a Ave-Maria, mas seu verdadeiro movimento acontece no interior do coração. Ao rezá-lo, o cristão percorre, na companhia de Maria, os principais acontecimentos da vida de Jesus Cristo.

Por isso, a Igreja sempre reconheceu no Rosário uma oração profundamente mariana, mas essencialmente cristocêntrica. São João Paulo II recordou que, embora tenha o rosto de Maria, o centro do Rosário é Cristo. Nele, o fiel contempla o Salvador e percorre os acontecimentos fundamentais da Redenção.

A história dessa devoção, porém, não começou de uma só vez. O Rosário foi tomando forma progressivamente ao longo do segundo milênio cristão. Antes que existisse a estrutura que conhecemos hoje, já havia entre os cristãos o costume de repetir orações e utilizar objetos para auxiliar a contagem. Monges e fiéis encontraram diferentes maneiras de acompanhar suas preces, enquanto a oração do Pai-Nosso e, posteriormente, a Ave-Maria ocupavam lugar cada vez mais importante na piedade popular.

A tradição da Igreja também relacionou esse desenvolvimento à oração dos monges, ao Saltério e à necessidade de oferecer aos fiéis que não podiam rezar os 150 salmos uma forma acessível de oração. O número de Ave-Marias acabou estabelecendo uma correspondência simbólica com os 150 salmos do Saltério.

Ao longo dos séculos, a devoção foi adquirindo uma estrutura mais definida. Os filhos de São Domingos tiveram papel fundamental em sua difusão. A própria Igreja reconhece tradicionalmente os dominicanos como guardiões e propagadores dessa prática de oração.

É nesse contexto que aparece a figura de São Domingos de Gusmão, a quem uma antiga tradição atribui a entrega do Rosário pela Virgem Maria como instrumento de evangelização e conversão. O episódio pertence à tradição devocional e não deve ser confundido com uma documentação histórica contemporânea ao santo. Ainda assim, sua importância espiritual foi enorme para a tradição dominicana e para a expansão da oração do Rosário.

Mais importante do que atribuir sua origem a um único momento é compreender aquilo que a própria estrutura da oração revela. O Rosário nasceu e cresceu como uma escola de contemplação. Cada Ave-Maria não pretende afastar o cristão de Cristo; ao contrário, conduz seu pensamento para Ele.

Os mistérios alegres levam à Encarnação e à infância de Jesus. Os dolorosos conduzem à Paixão e à Morte. Os gloriosos contemplam a Ressurreição e a glória de Cristo e de sua Igreja. Em 2002, São João Paulo II acrescentou os Mistérios Luminosos, permitindo contemplar também momentos fundamentais da vida pública de Jesus, como o Batismo no Jordão, as Bodas de Caná, o anúncio do Reino, a Transfiguração e a instituição da Eucaristia. Assim, os vinte mistérios hoje formam um verdadeiro percurso pelo Evangelho.

A história da festa de Nossa Senhora do Rosário também está ligada a um momento decisivo do século XVI.

Em 7 de outubro de 1571, ocorreu a Batalha de Lepanto, no Mediterrâneo, entre a frota da Liga Santa e a frota do Império Otomano. Na tradição católica, a vitória cristã foi associada de maneira especial à oração do Rosário, que havia sido recomendada aos fiéis naquele contexto. O papa São Pio V, dominicano e grande promotor dessa devoção, instituiu naquele mesmo ano a festa de Nossa Senhora da Vitória, como ação de graças pela vitória de Lepanto.

Posteriormente, a celebração recebeu o título de Nossa Senhora do Rosário. O papa Gregório XIII a vinculou à igreja romana dedicada ao Rosário e, em 1716, depois da vitória de Petrovaradin contra os otomanos, o papa Clemente XI estendeu a festa à Igreja universal. A data de 7 de outubro permaneceu associada à celebração.

Mas a história do Rosário não pode ser reduzida às batalhas. Sua verdadeira força está naquilo que acontece silenciosamente todos os dias, quando alguém toma as contas nas mãos e começa a rezar.

Em uma casa, uma família. Em uma igreja, uma comunidade. Em um hospital, alguém que sofre. Em uma estrada, um viajante. Em um mosteiro, um religioso. Em todos esses lugares, as mesmas palavras podem ser pronunciadas: “Ave, Maria...”

A repetição não é vazia. Cada Ave-Maria é como uma batida que conduz novamente ao mistério contemplado. Enquanto os lábios rezam, a mente procura acompanhar Jesus em sua vida, em sua Paixão, em sua Ressurreição e em sua glória.

São João Paulo II chamou o Rosário de uma espécie de “compêndio do Evangelho”, justamente porque seus mistérios colocam diante do cristão os acontecimentos essenciais da vida de Cristo.

Também por isso tantos Papas recomendaram essa oração. Leão XIII escreveu repetidamente sobre o Rosário; Paulo VI destacou seu caráter evangélico; e João Paulo II dedicou-lhe, em 2002, a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae. Mais recentemente, a Santa Sé continuou a promover sua oração, especialmente como caminho de paz e de contemplação.

Nossa Senhora do Rosário não nos convida a permanecer apenas diante dela. Ela nos ensina a olhar para seu Filho.

Nas contas do Rosário está a memória de uma história que começou em Nazaré, passou por Belém, pelo caminho da Galileia, pelo Calvário e pelo sepulcro vazio. É a história do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo.

Por isso, quando a mão percorre as contas e a Ave-Maria retorna uma vez mais aos lábios, não se trata simplesmente de repetir palavras. É voltar, com Maria, ao coração do Evangelho.

E talvez seja essa a grande beleza do Rosário: uma oração simples o bastante para ser rezada por uma criança e profunda o bastante para acompanhar um santo; humilde o bastante para caber entre os dedos e grande o bastante para conduzir o coração inteiro ao mistério de Cristo.
Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!

Reflexão

O Rosário tem o significado de uma guirlanda de rosas oferecida a Nossa Senhora. O costume de oferecer flores para as pessoas queridas remonta à Idade Média. Desde então Maria recebe muitas rosas em forma de orações.
Foram os frades dominicanos que tiveram o mérito de disseminar a devoção ao Rosário, que passou a ser a forma de oração mais popular entre as famílias religiosas, à noite, em casa. Ele é formado pelas duas orações básicas do catolicismo: o "Pai Nosso", ensinado pelo próprio Jesus Cristo, e a "Ave Maria", nascida da Anunciação feita pelo Anjo Gabriel a Virgem Maria e das palavras de sua prima Santa Isabel.
Enquanto se reza, ele nos leva à meditar sobre os mistérios da vinda do Filho de Deus entre nós, isto é: anunciação, nascimento, vida, paixão e morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Com a reforma do calendário litúrgico de 1960 a "Festa do Santíssimo Rosário" como era chamada, passou a ser o dia da comemoração de "Nossa Senhora do Rosário" e, o mês de outubro dedicado ao Rosário e a todas as missões apostólicas.
Rezemos hoje, nas festa de Nossa Senhora do Rosário, a oração mariana por excelência:
Ave Maria, cheia de graça...

Pesquisa e Texto: Equipe PASCOM Catedral
Reflexão: A12 Santuário Nacional