Santo do Dia
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Santos Anacleto e Marcelino

Santos Anacleto e Marcelino

A memória da Igreja, guardiã silenciosa dos séculos, por vezes reúne em um mesmo dia nomes que jamais se encontraram em vida, mas que partilham o peso e a honra de terem sustentado a mesma missão. Assim acontece no dia 26 de abril, quando são recordados Santo Anacleto e São Marcelino — dois pontífices separados por mais de duzentos anos, mas unidos pela responsabilidade de guardar a fé em tempos incertos.
Santos Anacleto e Marcelino - 26/04 A memória da Igreja, guardiã silenciosa dos séculos, por vezes reúne em um mesmo dia nomes que jamais se encontraram em vida, mas que partilham o peso e a honra de terem sustentado a mesma missão. Assim acontece no dia 26 de abril, quando são recordados Santo Anacleto e São Marcelino — dois pontífices separados por mais de duzentos anos, mas unidos pela responsabilidade de guardar a fé em tempos incertos. Voltemos, primeiro, aos dias mais antigos, quando a Igreja ainda respirava o ar da sua infância, marcada tanto pelo fervor quanto pela perseguição. Após o martírio de São Pedro, a cátedra de Roma não era um trono de honra, mas um lugar de risco. Foi nesse cenário que surgiu Anacleto, também chamado Cleto ou Anencleto — nomes diversos que, ao longo dos escritos antigos, apontam sempre para o mesmo homem. Eis uma curiosidade com relação a Santo Anacleto, venerado nesta data: seus dados biográficos se embaralharam ao serem transcritos século após século. Papa Anacleto teve sua vida contada como se ele 'fosse dois': papa Anacleto e papa Cleto, comemorados em datas diferentes, 26 de abril e 13 de julho. O engano, que passou também pelo cuidadoso Barônio, parece ter sido de um copista, que teria visto abreviado em alguma lista dos papas o nome de Anacleto por Cleto e julgou que deveria colocar novamente o nome apagado de Anacleto sem excluir a abreviação. Após a revisão dos anos 1960, como consequência dos estudos de Duchesne, verificou-se que se tratavam da mesma pessoa e a data de julho foi eliminada. Ele foi o segundo sucessor de são Pedro e foi o terceiro papa da Igreja de Roma, governou entre os anos 76 e 88. Anacleto nasceu em Roma e, durante o seu pontificado, o imperador Domiciano desencadeou a segunda perseguição contra os cristãos. Ele mandou construir uma memória, isto é, um pequeno templo na tumba de São Pedro. Morreu mártir no ano 88 e foi sepultado ao lado de são Pedro. Diz a tradição que o próprio Pedro o conheceu, o acolheu na fé, o batizou e o ordenou sacerdote. Não era, portanto, apenas um sucessor distante, mas alguém moldado diretamente pelo primeiro dos apóstolos. Ao lado de São Lino, foi contado entre os discípulos mais próximos daquele que recebera as chaves do Reino. Quando lhe coube assumir o governo da Igreja, Anacleto encontrou uma comunidade pequena, dispersa e constantemente ameaçada. O mundo ao redor era o do poder romano, e o nome de Cristo ainda soava como provocação. Durante os reinados de Vespasiano e Tito, ele ocupou a cátedra de Pedro, não com ostentação, mas com zelo pastoral. As fontes antigas, como o Liber Pontificalis, atribuem-lhe gestos simples e firmes: socorria os necessitados com esmolas, encorajava os cristãos perseguidos e organizava a vida da Igreja nascente, inclusive com a ordenação de novos sacerdotes. Em meio à instabilidade, buscava dar forma e continuidade a uma comunidade que ainda aprendia a existir. Mas o peso do Império não tardaria a cair novamente sobre os cristãos. Sob o governo de Domiciano, cuja intolerância religiosa se tornou notória, Anacleto foi capturado. Não há relatos grandiosos de seus últimos momentos — e talvez isso diga mais do que qualquer descrição. Como tantos outros daquele tempo, desapareceu na violência silenciosa das perseguições, por volta do ano 90, oferecendo a própria vida. Seu corpo, segundo a tradição, repousa próximo ao túmulo de Pedro, na Basílica de São Pedro, como quem permanece junto daquele a quem seguiu até o fim. Décadas se passaram. O mundo mudou, mas não a hostilidade contra os cristãos. E então surge outra figura, em outro tempo, sob circunstâncias ainda mais sombrias: Marcelino. Quando São Marcelino foi eleito Papa, em 30 de junho de 296, o Império Romano parecia buscar, com mais intensidade do que nunca, apagar a presença cristã. O poder estava nas mãos de Diocleciano, cuja política culminaria na mais severa perseguição já enfrentada pela Igreja primitiva. Seus éditos, executados com rigor por Maximiano Hercúleo, desencadearam um tempo de medo, confusão e sofrimento profundo, especialmente a partir do ano 303. Templos foram destruídos, Escrituras queimadas, cristãos forçados a renegar a fé sob ameaça de morte. Era um tempo em que cada decisão carregava consequências irreversíveis. Marcelino governou a Igreja nesse cenário de tensão extrema. Diferente de muitos predecessores, sua morte não é registrada como martírio. As fontes mais confiáveis dos séculos IV e V não o incluem entre aqueles que derramaram sangue pela fé, e indicam que faleceu em 304, provavelmente de morte natural. Ainda assim, seu pontificado não foi menos marcado pelo peso da perseguição, pela necessidade de sustentar a unidade e de conduzir um povo ferido. Seu corpo foi sepultado na Catacumba de Priscila, um dos muitos refúgios subterrâneos onde os cristãos encontravam descanso, silêncio e esperança — mesmo em meio à morte. Assim, entre Anacleto e Marcelino, estende-se um arco de mais de dois séculos — dois homens, dois tempos, duas formas de testemunho. Um selou sua fidelidade com o martírio; o outro, com a perseverança em meio ao caos. E a Igreja, ao recordá-los juntos, não confunde suas histórias. Antes, revela algo mais profundo: que, em cada época, a fidelidade assume a forma que o tempo exige — ora no sangue derramado, ora na resistência silenciosa. Santos Anacleto e Marcelino, rogai por nós!

Reflexão

ÃO: Anacleto, um bom pastor, vigiava e rezava com os perseguidos. Com eles reunia-se nas catacumbas para celebrar o ofício divino. Zelou pela dignidade dos locais de culto e construiu uma pequena capela para a veneração de São Pedro. Foi um santo Papa e dentre todas as realizações, acreditava que a beleza dos lugares sagrados ajudava a criar o clima da

Oração

dos em datas diferentes, 26 de abril e 13 de julho. O engano, que passou também pelo cuidadoso Barônio, parece ter sido de um copista, que teria visto abreviado em alguma lista dos papas o nome de Anacleto por Cleto e julgou que deveria colocar novamente o nome apagado de Anacleto sem excluir a abreviação. Após a revisão dos anos 1960, como consequência dos estudos de Duchesne, verificou-se que se tratavam da mesma pessoa e a data de julho foi eliminada. Ele foi o segundo sucessor de são Pedro e foi o terceiro papa da Igreja de Roma, governou entre os anos 76 e 88. Anacleto nasceu em Roma e, durante o seu pontificado, o imperador Domiciano desencadeou a segunda perseguição contra os cristãos. Ele mandou construir uma memória, isto é, um pequeno templo na tumba de São Pedro. Morreu mártir no ano 88 e foi sepultado ao lado de são Pedro. Diz a tradição que o próprio Pedro o conheceu, o acolheu na fé, o batizou e o ordenou sacerdote. Não era, portanto, apenas um sucessor distante, mas alguém moldado diretamente pelo primeiro dos apóstolos. Ao lado de São Lino, foi contado entre os discípulos mais próximos daquele que recebera as chaves do Reino. Quando lhe coube assumir o governo da Igreja, Anacleto encontrou uma comunidade pequena, dispersa e constantemente ameaçada. O mundo ao redor era o do poder romano, e o nome de Cristo ainda soava como provocação. Durante os reinados de Vespasiano e Tito, ele ocupou a cátedra de Pedro, não com ostentação, mas com zelo pastoral. As