Entre as muitas pessoas que cruzaram o caminho de Jesus durante sua vida pública, poucas aparecem nos Evangelhos com tanta proximidade e intimidade quanto Marta de Betânia. Seu nome está ligado à hospitalidade, ao serviço generoso e a uma das mais belas profissões de fé registradas nas Sagradas Escrituras. Celebrada pela Igreja em 29 de julho, Santa Marta permanece como exemplo daqueles que transformam o amor em cuidado concreto, sem deixar de buscar a presença de Deus.
Betânia era uma pequena aldeia situada na encosta oriental do Monte das Oliveiras, a cerca de três quilômetros de Jerusalém. Ali viviam Marta, Maria e Lázaro, irmãos unidos por profunda amizade com Jesus. Quando as multidões se afastavam e os dias de pregação terminavam, o Mestre frequentemente encontrava naquela casa um lugar de acolhida, repouso e afeto. Era um lar onde não havia apenas portas abertas, mas também corações dispostos a recebê-Lo.
Os Evangelhos apresentam Marta como a irmã mais velha, responsável pelos cuidados da casa. Seu temperamento era ativo, prático e diligente. Quando Jesus chegava, ela se preocupava em preparar tudo para que nada faltasse aos hóspedes. Enquanto isso, Maria permanecia aos pés do Senhor, escutando suas palavras.
Foi nesse contexto que ocorreu uma das cenas mais conhecidas da vida de Marta. Absorvida pelas muitas tarefas, ela aproximou-se de Jesus e manifestou sua inquietação ao ver a irmã aparentemente desocupada. Então ouviu uma resposta que atravessaria os séculos:
“Marta, Marta, tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas; porém uma só é necessária.”
Essas palavras nunca foram uma reprovação ao trabalho ou ao serviço. Pelo contrário. A tradição cristã sempre compreendeu que Jesus desejava ensinar o equilíbrio entre a ação e a contemplação. Marta representava aqueles que servem; Maria, aqueles que escutam. Na vida cristã, ambas as dimensões são necessárias e complementares.
Mas seria durante a doença e a morte de Lázaro que Marta revelaria toda a profundidade de sua fé.
Quando o irmão faleceu, Jesus ainda estava distante. A dor tomou conta da família e da aldeia. Muitos choravam. O sepultamento já havia acontecido. Quatro dias haviam passado quando chegou a notícia de que o Mestre se aproximava.
Marta não permaneceu imóvel. Assim que soube da chegada de Jesus, correu ao seu encontro. Seu coração estava ferido pela perda, mas não havia perdido a confiança.
As palavras que dirigiu ao Senhor permanecem entre as mais belas expressões de esperança do Evangelho:
“Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas mesmo agora eu sei que Deus te concederá tudo o que pedires.”
Naquele diálogo extraordinário, Jesus revelou um dos maiores mistérios da fé cristã:
“Eu sou a ressurreição e a vida.”
Então perguntou a Marta se ela acreditava.
A resposta dela ecoa como uma profissão de fé comparável à de Pedro:
“Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo.”
Antes mesmo do milagre acontecer, Marta já havia acreditado.
Pouco depois, diante do túmulo, ocorreu a ressurreição de Lázaro, um dos sinais mais impressionantes narrados pelos Evangelhos. A confiança daquela mulher simples tornou-se testemunho para todos os que estavam presentes.
Outra vez encontramos Marta nos últimos dias da vida pública de Jesus, durante a ceia realizada em Betânia. Enquanto Lázaro estava à mesa com o Mestre e Maria realizava seu célebre gesto de amor, ungindo os pés de Jesus com perfume precioso, Marta aparece novamente servindo. É uma breve referência, mas profundamente significativa. Mesmo diante dos acontecimentos extraordinários que cercavam sua família, ela continuava exercendo sua vocação de cuidar dos outros.
A tradição cristã viu nessa característica uma verdadeira escola de santidade. Marta não pregou multidões nem percorreu cidades anunciando o Evangelho. Sua missão aconteceu no cotidiano. Santificou-se através dos pequenos serviços, da atenção aos detalhes, da dedicação silenciosa e da fidelidade nos deveres comuns.
Por isso, ao longo dos séculos, tornou-se padroeira dos lares e de todos aqueles que trabalham servindo ao próximo. Cozinheiras, donas de casa, faxineiras, lavadeiras, hospedeiros, hoteleiros, irmãs de caridade e tantas outras pessoas encontraram nela um modelo de amor transformado em ação.
Antigas tradições cristãs, especialmente difundidas na Idade Média, afirmam que Marta, Maria e Lázaro teriam evangelizado regiões do sul da Gália após os primeiros tempos da Igreja. Entretanto, essas narrativas pertencem ao campo da tradição devocional e não possuem confirmação histórica equivalente à dos relatos evangélicos.
O que permanece plenamente seguro é o testemunho transmitido pelas Escrituras: Marta foi amiga de Jesus, acolheu-O em sua casa, acreditou n'Ele em meio à dor e proclamou sua fé antes de contemplar o milagre.
Sua memória litúrgica começou a ganhar maior difusão no Ocidente durante a Idade Média. Os franciscanos contribuíram decisivamente para a propagação de sua festa, celebrada em 29 de julho. Em tempos mais recentes, a Igreja ressaltou ainda mais sua importância, unindo liturgicamente a memória de Marta à de seus irmãos, Maria e Lázaro, destacando o testemunho dessa família tão amada por Cristo.
A vida de Santa Marta recorda que a santidade não nasce apenas dos grandes acontecimentos. Ela floresce também na cozinha de uma casa, na mesa preparada com carinho, na atenção dada a quem sofre, no serviço silencioso que ninguém vê e na fé que permanece firme quando tudo parece perdido.
Entre panelas, lágrimas, tarefas e esperanças, Marta descobriu o segredo dos santos: servir a Cristo nos irmãos e confiar n'Ele mesmo quando a pedra já parece ter fechado o sepulcro.
Por isso sua voz continua atravessando os séculos, repetindo a mesma profissão de fé feita diante de Jesus em Betânia: “Sim, Senhor, eu creio.”
Santa Marta, rogai por nós!
Saber servir é um dom recebido de Deus e obrigação de todo cristão. Existe um provérbio popular que diz: “Quem não vive para servir, não serve para viver.” A vida de Santa Marta foi de serviço e cooperação com o projeto de Jesus. Através de atividades do dia a dia ela demonstrou que Deus está presente em tudo que fazemos com amor e dedicação.
Ó gloriosa Santa Marta, entrego-me confiante em vossas mãos, esperando o vosso amparo. Acolhei-me sob a vossa proteção, consolai-me nos meus sofrimentos. Pela felicidade que tivestes em hospedar em vossa casa o Divino Salvador do mundo, consolai-me em minhas dificuldades. Intercedei hoje por mim e por minha família, para que tenhamos o auxílio de Deus Pai de Bondade na nossa vida. Isso vos pedimos por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Pesquisa e Texto: Equipe PASCOM Catedral
Reflexão e Oração: A12 Santuário Nacional